No dia em que cariocas começaram o dia enfrentando ainda mais dificuldades para se locomover, em função de uma paralisação dos rodoviários da cidade, motoristas de aplicativos que trabalham para as empresas Uber e 99 também cruzaram os braços nesta terça-feira (dia 29). Segundo uma das entidades que representam a categoria, há paralisação em pelo menos outras sete capitais do país.

No Rio, os motoristas pararam próximo ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, onde tradicionalmente se reúnem à espera de corridas solicitadas por meio do aplicativo Uber.

Os trabalhadores reivindicam reajustes na tarifa mínima por corrida da Uber, dos atuais R$ 6,50 para R$ 10. No caso da 99, a categoria pede a correção da tarifa mínima de R$ 6,20 também para R$ 10.

Os trabalhadores ainda pedem aumento nas taxas por quilômetro rodado: R$ 2 para corridas das categorias "X" ou "99 Pop", R$ 2,40 para a "Comfort", e R$ 3,20 para "Black".

— Hoje, a corrida mínima da Uber é de R$ 6,50, e o metro cúbico do GNV, que a maioria dos motoristas utiliza, está em média entre R$ 5 e R$ 6. O motorista acaba tendo que escolher qual corrida aceitar, porque senão paga para trabalhar — afirma Luiz Corrêa, presidente do Sindicato dos Prestadores de Serviço por Aplicativo do Rio.

Além dos reajustes, os profissionais também reivindicam:

- Pagamento pelo deslocamento feito para buscar o passageiro;

- Que o destino da corrida seja especificada;

- Criação e melhoria dos chamados "bolsões" - áreas de embarque e desembarque próximo aos aeroportos;

- Instalação de câmeras nos carros das motoristas mulheres;

- Incentivos para os motoristas com pontuações melhores;

- Fim do preço fixo, fazendo que qualquer alteração do trajeto seja cobrada;

- Suporte por telefone de todas as categorias.

Uma pauta com as reivindicações foi enviada às sedes da Uber e da 99 em São Paulo. Por volta das 10h30, os motoristas saíram do Santos Dumont, no Rio, em carreata até a sede da Uber na capital fluminense. A Polícia Militar acompanhou a manifestação. O trecho da Avenida Presidente Vargas, sentido Central do Brasil, entre a Avenida Passos e a Rua Uruguaiana, ficou interditado.

Paralisação nacional

Segundo o sindicato do Rio, a paralisação é nacional, com greves acontecendo na capital paulista; em Belo Horizonte e Juiz de Fora, em Minas Gerais; Recife, em Pernambuco; Curitiba, no Paraná; Salvador, na Bahia; Aracaju, no Sergipe; e Manaus, no Amazonas.

No Rio, também houve concentração de motoristas em outras cidades da região metropolitana, como Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo, na Baixada, além de municípios como Búzios, Cabo Frio e Araruama, na Região dos Lagos.

Em toda o estado, de acordo com o sindicato, há cerca de 300 mil motoristas trabalhando pela Uber, 100 mil apenas na capital fluminense.

O que dizem as empresas

Procurada, a Uber declarou que lançou um pacote de medidas para ajudar a mitigar os custos dos motoristas parceiros com a recente alta dos combustíveis. "Estão sendo investidos cerca de R$ 100 milhões em iniciativas como promoções de ganhos adicionais e parcerias que ajudam a reduzir os custos dos parceiros, além de um reajuste temporário no preço das viagens", declarou em nota.

Recentemente, a empresa corrigiu suas tarifas em 6,5%. Outra iniciativa citada é o desconto de 20% no abastecimento de gasolina por meio de uma parceria de cashback entre a Uber Conta, a rede Ipiranga e o app abastece-aí.

Hoje, pagando com o Cartão Uber no app abastece-aí, o motorista parceiro já tem 4% de cashback em todos os abastecimentos", completou.

Já a 99 afirmou que lançou no último dia 23 um auxílio no ganho dos motoristas que aumenta sempre que o combustível sobe. "Com isso, a empresa adiciona R$ 0,10 por quilômetro rodado para cada R$ 1 de aumento do combustível. Em São Paulo, em uma corrida de 12 km, que gasta 1 litro na média para carro popular, o reajuste é de R$ 2,04 para este trecho. Ou seja, o motorista recebe um valor superior por litro se comparado à diferença atual que paga pelo combustível, cerca de R$1,65", disse a empresa, em nota.