Seja pela distância até o passageiro ou pelos reajustes frequentes no preço do combustível, os motoristas que trabalham com aplicativos de mobilidade urbana são obrigados a calcular diariamente as suas corridas para não terminar o dia no vermelho. Algo que transparece ainda mais considerando grandes cidades como São Paulo, a maior da América Latina.

O cenário atual de incertezas levou uma parcela dos colaboradores (ao todo são 150 mil operando na capital paulista) a criar o seu próprio aplicativo, cujo objetivo é bater de frente com os principais nomes do setor no país: Uber e 99.

A plataforma, batizada como ‘Me Busca’, inclusive, já conta com o apoio da Ammasp (Associação de Motoboys e Motoristas de Aplicativos de São Paulo). O objetivo da iniciativa, segundo Eduardo Lima, presidente da Ammasp, é que os motoristas cadastrados no app consigam uma remuneração maior que a oferecida pelas concorrentes, promovendo mais segurança financeira.

Com lançamento oficial previsto para março deste ano, a novidade já conta com milhares de interessados. A ideia é levar o projeto para outras cidades do país caso o aplicativo ganhe espaço em São Paulo.

Baixa remuneração motivou a criação do aplicativo

De maneira geral, os motoristas, que procuram nos aplicativos de transporte uma forma de gerar uma renda extra, relatam que os seus ganhos não acompanharam os aumentos no valor dos combustíveis e na manutenção geral dos veículos (que também subiu cerca de 11%).

Em busca de alternativas para aumentar a margem de lucro, a tarifa cobrada dos passageiros chegou a sofrer um reajuste de 60,5% na capital paulista em 2021. O que, ainda assim, não impactou positivamente no bolso dos colaboradores, já que boa parte dos ganhos das corridas vai direto para os aplicativos.

Conforme o levantamento dos motoristas, as plataformas costumam deter em média de 14% a 40% por viagem. A Uber, que conta com uma base de um milhão de motoristas no Brasil, adotou uma taxa variável em 2018 (antes a taxa fixa era de 25% por corrida).

Segundo a empresa, motoristas que dirigem por 40 horas em São Paulo ganharam em média R$ 1,5 mil em janeiro. A empresa explica que busca contornar o desequilíbrio nos ganhos com preços mais dinâmicos. A 99, por sua vez, também destaca que adotou reajustes de 10% a 25% nas remunerações no ano passado.

Por fim, a principal meta do “Me Busca”, segundo os criadores, é adotar uma taxa fixa, permitindo que o motorista fique sempre com a maior parte do valor pago pelas viagens.